Jogos Inesquecíveis

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583O ano do centenário do Tricolor teve poucos motivos para comemoração. Esse jogo foi um deles. O Imortal corria risco de rebaixamento, após um primeiro turno ruim e algumas trocas de treinador. Já o rival, estava na parte de cima da tabela, e jogando em casa era o favorito. Além de favorito, declarações de jogadores do inter nos bastidores davam conta de que se venceria com facilidade. Com Adílson Batista no comando, o Grêmio iniciava uma arrancada no campeonato, o que culminaria no alívio de escapar do descenso após uma temporada ruim. A partida começou com o inter fazendo valer o fator local e pressionando, mas Eduardo Martini se mostrou seguro no gol Gremista com boas defesas. Anderson Lima assustava nas cobranças de faltas. Gilberto dava bons passes, enquanto que, lá na frente, Pitbull e Christian davam as cartas. Aos 34 minutos do primeiro tempo, Pitbull deu o passe pela direita e Christian calou o beira lago com uma bomba no ângulo. Muitos pensavam que por ter jogado no inter ele não comemoraria, mas ele não pensou duas vezes e correu pra comemorar com a Torcida Tricolor. No segundo tempo foi só administrar a vantagem, embora o time tenha perdido boas oportunidades com Marcelinho e Caio (hoje comentarista de TV). No apito final, foi só festejar a importante vitória que embalou o Grêmio a sair da má fase. O Imortal entrou em campo com: Eduardo Martini; Anderson Lima, Baloy, Adriano e Gilberto; Gavião, tinga, Leanderson e Caio (Carlos Miguel); Pitbull (Marcelinho) e Christian (Élton).

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Abaixo a reportagem do jogo:

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585Recife, 26 de novembro de 2005. O campo de batalha para Grêmio e Náutico era o Estádio dos Aflitos. Uma verdadeira afronta ao futebol moderno. Gramado péssimo, vestiários precários, arquibancadas sujas e quebradas, enfim, um estádio sem condições e estrutura para receber um jogo de futebol. Apesar disso, a torcida do Náutico compareceu em grande número, para ver seu time vencer o Grêmio. Ao Imortal dos Pampas, bastava o empate para conquistar a volta para a primeira divisão. O clima era tenso. Antes mesmo de a partida começar, os jogadores Tricolores eram hostilizados pelos torcedores e até pelos policiais pernambucanos. No vestiário, além do forte cheiro de tinta, soldaram a porta para que os jogadores do Grêmio não aquecessem no gramado. Iniciado o jogo, viu-se uma disputa equilibrada, com chances para os dois lados. Até que um pênalti inexistente para o Náutico foi marcado. Numa bola perdida na área, Paulo Matos se jogou e o juiz marcou. Bruno Carvalho correu, bateu… NA TRAVE! Nesse momento, sentado no sofá da sala, acompanhando o jogo na TV, pensei: Agora já era! Vamos ficar nesse 0x0 e nos classificar. Vem o segundo tempo. E mais tensão. Chances perdidas pelo Imortal, chances perdidas pelo Náutico, e os minutos passando… No outro jogo, o Santa Cruz vencia a Portuguesa e conquistava a sua classificação. Chegávamos aos 30 minutos do segundo tempo. O Náutico ataca pela direita e o chileno Escalona coloca a mão na bola e é expulso. Meu Deus! E ainda faltam 15 minutos, eu pensava em frente a TV. Aos 33, Galatto deu um “encontrão” em Miltinho. A torcida reclamou pênalti, mas o árbitro não marcou. Três minutos depois, uma bola lançada na área, tocou no braço de Nunes involuntariamente. O senhor Djalma Beltrami dessa vez marcou. Em casa eu simplesmente destruí o controle remoto da TV, jogando-o contra a parede. Os jogadores foram pra cima do juíz. Patrício lhe deu um “peitaço” e foi expulso. Nunes lhe deu um empurrão e também levou o vermelho. Policiais, jornalistas, comissão técnica e dirigentes entraram em campo e começou a confusão. Um PM acertou Patrício que caiu no gramado. Odone desceu da arquibancada, acompanhado por Cacalo e outros dirigentes para acalmar os jogadores Gremistas. Surgiu a informação de que Mano Menezes deveria retirar o time de campo. Mas se isso fosse feito, o Grêmio perderia os pontos na justiça.

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Eu chorava assistindo tudo aquilo, a injustiça que estava sendo cometida com o Grêmio, o fato de ter que passar mais um ano na segunda divisão. Quando o árbitro foi colocar a bola na marca do pênalti, Domingos a retirou com um tapa e também foi expulso. Mais confusão. Se mais um fosse expulso, perderíamos o jogo. Após a entrada do Domingos pela porta que dá acesso aos vestiários, a mesma foi fechada. De maneira que, se a torcida do Náutico invadisse, os jogadores do Grêmio não teriam como se proteger. O relógio já marcava 59 minutos do segundo tempo quando Ademar foi pra bola. Ele bateu a meia altura. GALATTO!!! Defendeu o arqueiro Tricolor! Eu berrava feito um louco em casa! Parei e pensei: Como resistir com apenas 7 jogadores contra 11? Anderson sofre falta na meia esquerda e Batata é expulso. Na cobrança rápida, o próprio Anderson invade a área a dribles e chuta por baixo do goleiro. GOOOLLL!!! Eu não acreditava no que estava vendo. Como um time com 7 em campo e um pênalti contra pode vencer um jogo? Pois isso é Grêmio! Isso é Raça! É isso que faz esse clube ser conhecido como Imortal Tricolor! É isso que faz esse clube ser reverenciado no mundo inteiro por nunca desistir! Parabéns ao Grêmio, que nesta Sexta Feira completa 5 anos do jogo mais incrível da história do futebol.505

 

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586O jogo valia pelas semifinais da Copa do Brasil de 1989. O Grêmio, então Pentacampeão Gaúcho, precisava apenas do empate em 0x0 para chegar à final, pois no jogo de ida, apesar de sair perdendo por 2×0, numa reação incrível, empatamos no fim, 2×2. No Monumental lotado (46 mil pessoas), o Imortal começou o jogo atrás, mantendo a postura de jogar nos contra-ataques. Num deles, aos 23 minutos do primeiro tempo, Cuca recebeu na área e colocou na rede, 1×0. Os cariocas partiram pra cima pra tentar o empate, mas sem sucesso, a primeira etapa terminou assim. No segundo tempo, logo aos 4 minutos, Paulo Egídio, de cabeça após cobrança de falta, fez o segundo. Mal a bola saiu e, um minuto depois, o atacante Almir que substituiu Kita, marcou o terceiro, chegando livre pela direita. Para surpresa de todos, o Imortal continuou atacando e sufocando a equipe do Flamengo. Aos 28, Cuca de fora da área, fez um golaço, encobrindo o goleiro Cantarele. Mais 3 minutos se passaram e Paulo Egídio, disparou pela meia-direita, humilhou o goleiro e fez o quinto gol, para o delírio da torcida Tricolor. Após os cariocas descontarem, o garoto Assis fechou o placar, aparando um cruzamento da esquerda. 6×1. Humilhamos o grande time do Flamengo com uma goleada sensacional e conseguimos a vaga na final da primeira Copa do Brasil, competição na qual nos tornaríamos mestres, e enfrentaríamos o surpreendente Sport. O Grêmio naquele dia entrou em campo com: Mazarópi, Alfinete, Luís Eduardo, Vilson e Hélcio; Jandir (André), Lino e Cuca; Assis, Kita (Almir) e Paulo Egídio. O técnico era Claúdio Duarte.

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Abaixo, os gols do jogo, com narração de Oliveira Andrade. (As imagens, foram as melhores que consegui):

 

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587Desde a criação da Copa do Brasil em 1989, o Grêmio sempre se mostrou especialista nesse tipo de competição. Tanto que levantou o caneco logo na primeira edição, vencendo o Sport. Em 1994, chegávamos à nossa quarta final. E era contra o surpreendente Ceará, que havia eliminado o grande time do Palmeiras nas oitavas, e o inter nas quartas. O trabalho de Felipão (que recém iniciava) não passava confiança a alguns dirigentes, mas mesmo assim, ele foi bancado por Fábio Koff. Fase a fase o Imortal foi se superando, até chegar na final. Após o empate em 0x0 no primeiro jogo em Fortaleza, uma vitória simples nos daria o título. No Monumental lotado, a confiança era total, tanto que, logo aos 3 minutos de jogo, após cobrança de escanteio, o artilheiro Nildo, de cabeça, colocou no fundo da rede. A torcida explodiu em alegria. Depois foi só administrar o jogo (bem ao estilo Felipão), já que a equipe nordestina ofereceu pouco perigo à nossa meta. O jogo era aguerrido, bem disputado. Poderíamos até ter ampliado com Carlos Miguel e Nildo, que perderam boas chances. No final, a festa tomou conta do estado, pois o Grêmio conquistava de forma invicta o Bi-campeonato da Copa do Brasil, nos dando vaga na Libertadores 95 e abrindo caminho para o período mais vencedor da história do Imortal. O time que entrou em campo naquela final: Danrlei; Ayupe, Paulão, Agnaldo e Roger; Pingo, Jamir, Émerson e Carlos Miguel (Wallace); Fabinho e Nildo (Carlinhos). Téc. Luís Felipe Scolari.

A campanha:
2×2/2×1 Criciúma – Primeira fase
2×0/2×2 Corinthians – Oitavas de final
1×0/1×0 Vitória –  Quartas de final
0x0/2×1 Vasco –  Semifinal
0x0/1×0 Ceará – Final

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Abaixo, os melhores momentos do jogo, com narração do grande Osmar Santos na extinta TV Manchete:


 

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588Já que estamos na semana GREnal, o Jogos Inesquecíveis de hoje relembra um clássico histórico, que aconteceu no distante ano de 1944. Naquele ano, o Imortal não vinha bem, e já havia perdido dois GREnais seguidos. Tudo indicava que o rival venceria o terceiro. O jogo foi disputado no dia 13 de agosto no Estádio da Baixada (antiga sede Tricolor), e começou com o rival pressionando, sendo que, ao término do primeiro tempo, já vencia por 3×0, fazendo jus ao favoritismo. No intervalo, o treinador Telêmaco de Lima, motivava ao máximo os jogadores Tricolores, dizendo que se fizéssemos um gol no início, a virada seria possível. E foi o que aconteceu. Logo aos 3 minutos, o uruguaio Ramón Castro marcou o primeiro. A torcida aplaudia e incentivava o time acreditando na virada. Não demorou e Bentevi fez o segundo. A essa altura, os torcedores gritavam “mais um, mais um”. Atendendo aos pedidos, Ramón Castro empatou o jogo. Atônitos, os rivais não entendiam o que estava acontecendo. O mais incrível ainda estava por vir. Faltando dois minutos para o fim da partida, Ivo Aguiar serviu o ponta esquerda Mário, que com um potente chute, virou o jogo, para o delírio da torcida, mostrando que desde os primórdios, o Grêmio sempre foi um time de Raça, que não desiste jamais. Por mais difícil que seja a situação, sempre acreditamos que é possível, pois são muitos os jogos que vencemos de forma heróica, contra tudo e contra todos, inclusive fatores “extra-campo”. Nenhuma situação difícil vai nos abalar. Nenhuma má colocação na tabela vai nos fazer desistir. Nenhum Estádio lotado vai nos fazer tremer. Por isso neste domingo, é o dia de dizer: Sim, eu acredito. Vamos pra cima deles, mesmo dentro do chiqueiro da beira lago. E com certeza, conseguiremos a reabilitação no Campeonato, e ainda vamos terminar na frente deles! Avante Tricolor!

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